O cobra dos muros urbanos

O cobra dos muros urbanos

É possível que você nunca tenha visto ou ouvido falar de Eduardo Kobra. Mas certamente você já se deparou com alguma de suas inúmeras e gigantescas obras espalhadas pelo Brasil e pelo mundo.

Dono de um traço preciso, de um grande domínio das cores e de técnicas de luz e sombra impecáveis, Eduardo Kobra começou sua carreira em 1987 como pichador artístico, numa época em que o termo “grafiti” ainda nem existia e sua arte era tida como marginal. A paixão pelos muros lhe rendeu, na adolescência, uma expulsão da escola e, na juventude foi preso algumas vezes, acusado de vandalismo. A reviravolta na sua carreira ocorreu em um desses episódios quando um juiz ficou impressionado com a qualidade de suas “pichações” e o sentenciou a pintar uma das paredes da delegacia de polícia.

Eduardo Kobra introduz um de seus murais em São Paulo, retratando saudosos momentos da cidade.

Hoje, autointitulado “muralista”, Eduardo Kobra assina obras em muros e paredes imensas, fachadas cegas de edifícios altíssimos, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife. Achou pouco? Ele também! Kobra desvia os olhares para seus murais em Los Angeles, Chicago, Nova York, Miami, Paris, Roma, Dubai, Londres, Boras (Suécia), Papeete (Polinésia Francesa), Tóquio, entre outras. A Street Art o fascina: “Um dos principais prazeres de fazer a arte de rua é a democratização. Todo mundo acaba vendo. É gente de tudo quanto é tipo”, afirma Kobra.

“Rio”, Kobra, Tóquio, 2017.

Recentemente o artista concluiu um mural em Carrara, na Itália. A obra foi pintada diretamente no mármore e, não por acaso, foi inspirada na escultura Davi, de Michelangelo. A cidade era o destino predileto do artista italiano, que escolhia a dedo as peças de mármore maciço onde esculpiria suas obras, que entrariam para a história.

Obra sem nome, Kobra, Carrara, Itália, 2017.

Além de acumular o título de artista cujas obras são vistas por mais pessoas simultaneamente, Kobra conquistou o “Guiness World Records“, o livro dos recordes, tendo o seu mural “Todos somos um” para a Rio 2016 reconhecido com o maior grafite do mundo.

Situado no Boulevard Olímpico da Praça Mauá, no Rio de Janeiro, o trabalho consumiu 180 baldes de tinta acrílica e 2.800 latas de spray.

“Todos Somos Um”, Kobra, Rio de Janeiro, 2016.

Como se não bastasse, Kobra ainda realiza pesquisas de novos produtos e tecnologias, como é o caso da pintura em 3D sobre pavimentos. A técnica anamórfica tem a função de “enganar os olhos” de quem a aprecia, pois ela pode parecer distorcida de um certo ângulo, contudo, ao ser analisada do ângulo correto, estipulado pelo autor, ela passa a ser um 3D com variações de profundidade e realismo.

A técnica pesquisada pelo artista foi adotada no grafite “Abismo” realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo.

“Abismo”, Kobra, Memorial da América Latina, São Paulo, 2017.

Kobra compreende que ao ar livre suas obras sofrem com os efeitos das intempéries e até, pasmem senhores, do vandalismo. Ele pretende dedicar-se mais às telas, que podem ser expostas em galerias e, principalmente, podem ser comercializadas. Mas não tem planos de abandonar sua grande paixão: a street art. A paisagem urbana agradece!

Ariella de Paula
Arquiteta e Designer de Interiores

Contatos:

(16) 98141-2894
Instagram: @arquitetaariella

Fotos: Reprodução

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