Retoque X Realidade: série entendendo fotografia #1

Retoque X Realidade: série entendendo fotografia #1

Você detesta Photoshop ou filtros do Instagram? Sabia que isso é muito mais antigo do que a câmera digital?

Existe uma verdade: o retoque nasceu com a fotografia. Contra isso ninguém pode brigar. Antes da fotografia existir, as pessoas posavam dias ou até meses diante de um pintor para ter ali registrado seu rosto, personalidade e poder. Era até uma questão social. (Diferente de hoje? Talvez não…) Porém, o que ali era registrado não trazia rugas, nem manchas ou olheiras. Era o ideal, o sonho. O resultado refletia a inspiração do artista, não necessariamente o que estava diante dos seus olhos.

Quando surgiu a fotografia e as pessoas precisavam ficar “apenas” 8 horas congeladas diante da câmera para ter uma única imagem, foi um escândalo. Existiram movimentos contra “aquilo” que mostraria os defeitos das pessoas! Chegou a ser piada.  Por que contratar um fotógrafo que vai eternizar seus defeitos e não um pintor que vai te transformar em uma deusa ou um anjo? Como isso poderia ser arte?

A gravura abaixo ironizava a fotografia mostrando uma mulher sendo retratada por um pintor (imagem da esquerda) e por um fotógrafo (imagem da direita). A concorrência era injusta! De um lado, a beleza divina, digna de ser a musa do pintor. Do outro, a realidade dura, sombria, desfigurada até.

Fotografia não era arte até a que história revelou a sua essência artística com o passar dos anos e diante de inúmeras descobertas. Essa história é tão incrível e explica tanta coisa, que sou uma apaixonada por toda essa linha do tempo.

Os laboratórios fotográficos desde o início tinham ferramentas de retoque, e algumas inspiraram, inclusive, o que existe no Photoshop, como o pincel. Os fotógrafos coloriam, suavizavam, cortavam, ajustavam e até riscavam negativos. Dá para imaginar isso? Essas ferramentas possibilitavam modificações na fotografia final que condiziam com a inspiração do artista, com o que ele buscava.

Uso retoques desde quando vivia dentro dos laboratórios fotográficos da Escola Panamericana de Arte e até os químicos eram nossos aliados, aumentando contraste e brincando com as cores.

Quando o digital chegou, me choquei! Infinitas possibilidades mudavam o que eu entendia como fotografia. Demorou um pouquinho até notar que era um ganho para a nossa história e não uma perda.

O fotógrafo profissional, seja o de hoje, do século passado com as câmeras de filme ou mesmo nossos precursores que eram quase cientistas desenvolvendo não só a arte mas também a tecnologia, faziam e fazem mágica com seu talento, sensibilidade, conhecimento técnico, estudo constante, experimento pessoal e ferramentas tecnológicas. E isso não é errado, não muda ou diminui o olhar único do fotógrafo e faz todo o sentido histórico.

Sou do tipo que ama fotografar a vida real, que destaca o que há de mais lindo em cada pessoa e suas emoções em momentos que, muitas vezes, duram frações de segundos. Amo fotografar a essência e hoje sei que a união da minha fotografia com a tecnologia é saudável e valorosa. Existe beleza a ser mostrada sem retoques sim (e sou fascinada por isso),  mas eles sempre existiram.
Acha estranho que tantas pessoas adorem os efeitos do Instagram ou de apps que fazem coisas incríveis com as fotos do dai-a-dia? Isso não é novo, é do ser humano e é real. É a constante busca pelo estado da arte!

Ana Falcão
Fotografia Profissional

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