Completando 100 anos, o batom é sinônimo de sedução

Completando 100 anos, o batom é sinônimo de sedução

Apesar da boca ser objeto de sedução há mais de mil anos, no início do século passado, um perfumista francês de nome Rhocopis, criou o que hoje é sinônimo de sedução: o batom. Na época ele consistia de uma massa de talco, óleo de amêndoas, essências de bergamota e limão, de cor vermelha ou corante carmim e era vendido numa embalagem de papel de seda. O formato do batom passou por um processo de modernização em 1915 nas mãos de Maurice Levy, um americano da indústria de cosméticos, que inventou um cilindro metálico, tornando acessível e prática a forma de passar batom, que antes era apenas com pincel. A aceitação foi instantânea.

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No início, o batom era visto como algo estranho e indecente, usado apenas por atores e atrizes, pois era considerado muito teatral. Com o passar do tempo, o cosmético conquistou as bocas mundo afora, principalmente pela influência da famosa atriz Sarah Bernhardt, que desfilava seus lábios vermelhos em público, gerando curiosidade por onde passava.

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Em 1936 o grandioso New York Times declarou que “o batom era tão essencial como a roupa e quase vital como o alimento”. As grandes de cosméticos Elizabeth Arden e Estée Lauder foram as primeiras a comercializar o batom em seus salões. Hoje em dia são vendidos, em média, três milhões de unidades de batom por dia no mundo todo.

Este ano o batom celebra cem anos e essa paixão feminina que serve para dar cor aos lábios se renova a cada dia com novas tonalidades, texturas, marcas e ingredientes que tornam a boca ainda mais sensual. Sem dúvida o batom faz com que as mulheres se sintam poderosas e confiantes para enfrentarem o mundo. E como diz a atriz Elizabeth Taylor: “quando existir alguma adversidade, sirva-se de uma bebida, passe um batom e se recomponha”.

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Curiosidades:

  • A origem do batom remonta ao tempo dos egípcios quando as mulheres tinham o costume de usar pedras semipreciosas em torno dos olhos e dos lábios. No entanto, contrariamente ao que é normal referir-se, o uso de corantes para decorar os lábios não foi instituído por Cleópatra. No museu de Berlim, na Alemanha, pode-se ver no busto de Nefertiti, a rainha egípcia esposa do faraó Akhenaton, que os lábios femininos já eram pintados mil anos antes da era de Júlio César.
  • No século XIII, um monge de Piza descobriu o carmim de Cochinella, pigmento vermelho insolúvel em água, extraído de um inseto. Rhocopis, um perfumista francês, foi o responsável pela revolução que definitivamente trouxe o batom para a vida das mulheres deste século. Seu invento era uma massa composta de talco, óleo de amêndoas, essências de bergamota e limão, de cor vermelha, cuja textura se devia ao acréscimo de gordura de cervo.
  • Na Grécia, no século II, havia uma lei que impedia as mulheres de usarem batom antes do casamento. O ato de pintar os lábios era visto como um hábito de mulheres mal-intencionadas.
  • Em 1770, o parlamento inglês proibiu o uso de pigmentos nos lábios por considerar que esta prática era um artifício que as mulheres possuíam para seduzir e manipular os homens.
  • Na Espanha do século VI, só usavam batom as mulheres das classes sociais mais baixas.
  • Miss Pearl Pugsley, nos Estados Unidos, aos dezessete anos, foi notícia por ter sido expulsa do colégio por usar batom.
  • Na Europa Medieval, a Igreja era a única presença constante na mente dos europeus naquela época, responsável pela ditadura e manutenção das leis e da moda. O Clero condenou o uso de cosméticos, relacionando o batom vermelho aos cultos satânicos. Somente atores de teatro e prostitutas pintavam os lábios.
  • Mesmo com os tempos difíceis de escassez e recessão que viriam logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, as mulheres não abandonaram seus batons. Divas hollywoodianas, como Ava Gardner, Rita Hayworth, Bette Davis, Lauren Bacall, Elizabeth Taylor e Marilyn Monroe, no fim dos anos 50, influenciavam as mulheres do mundo todo.
  • A estrela do cinema mudo Clara Bow ajudou que a cor ficasse ainda mais em evidência. Os lábios da atriz eram cuidadosamente pintados em um formato que ficou conhecido como “arco do cupido” com batom escuro. O objetivo era que eles parecessem vermelhos nos filmes em preto e branco. Intensificando ainda mais a ligação da cor com a força feminina, com a chegada da Segunda Guerra Mundial, no fim dos anos 30. Os batons lançados na cor vermelha vinham com nomes que remetiam à tensão mundial da época: “vermelho luta” e “vermelho patriota”. Elas lutavam pelo direito de votar indo às ruas exibindo o tom nos lábios. Desde então, o batom vermelho ganhou o status de símbolo do poder feminino.
  • A produção de batons tornou-se mais segura e difundida a partir do século 16. Na Inglaterra, a rainha Elizabeth I deu visibilidade ao usá-lo frequentemente. Com sua pele pálida e batom vibrante vermelho, cor que ela conseguia através de uma mistura de cera de abelhas e plantas, a monarca inglesa era constantemente reproduzida em pinturas com os lábios destacados.
  • Anos depois, a mesma Inglaterra que difundiu o uso do batom vermelho também marginalizou-o. As bocas em tons vibrantes, como o vermelho, não eram mais bem-vistas. Existiu uma lei que proibia o uso de qualquer tipo de maquiagem antes do casamento. A união poderia até ser anulada caso o marido descobrisse que a mulher havia pintado o rosto sem ele saber.
  • Enquanto os padrões estéticos ingleses restringiam a relação feminina com sua própria beleza, na França a realidade era outra. As mulheres das altas classes sociais eram encorajadas a usar maquiagem já que o “look natural” era reservado à classe trabalhadora.
  • Em 1921, o batom ganhou o formato atual de bala e estojo, e começou a ser comercializado em Paris. A revista Vogue publicou que o “tubinho” do batom era um acessório de elegância que todas as mulheres de classe deveriam possuir.
  •  Nos anos 80, um tom vibrante marcou o look escolhido pela rainha do pop, Madonna, em sua turnê do álbum “Like a Virgin”.

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Fotos: Reprodução

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